UNAMA - Universidade da Amazônia
CCHE – Letras
2009
Evasão escolar e desinteresse dos
alunos: o que podemos fazer?
Luiz
Guilherme Farias Castelo
"O professor medíocre conta. O bom professor
explica.
O professor superior demonstra. O grande professor,
inspira."
(William
Arthur Ward)
Muito se tem falado
sobre Reforma na Educação brasileira. Ultimamente até o Papa tem influenciado
na Educação brasileira. Mas será que aos verdadeiros interessados, os educandos
brasileiros, se têm dada a devida atenção? Temos visto um sem número de fóruns,
seminários e reuniões políticas em Brasília desde os anos 80, e ainda assim,
enfrentamos graves problemas na educação.
O
resultado direto da maioria dessas discussões, contudo, acaba quase que
invariavelmente, influenciando de uma forma ou de outra, nas leis que servirão
de diretrizes para a prática docente no país. O “texto da Lei” atua, traz uma
proposta muito importante, de integração. Há até uma tendência um pouco maior
em se utilizarem métodos científicos e experimentados, em detrimento dos antigos
preceitos educacionais. Isto é ótimo. Mas é só o começo. É preciso que se
perceba que o mundo está em constante mudança e faz-se necessário que
acompanhemos essa mudança.
Nesse sentido,
podemos afirmar que a formulação do Referencial Curricular Nacional e os PCN’s
significaram um enorme avanço em direção à uma “escola” nova, mais dinâmica e
mais eficiente. Notamos, contudo, que não é o suficiente. É como dissemos, o
começo do caminho. É a bússola indicando o caminho, e ele é longo. A própria
distância entre o que diz o “texto da lei” e nossa realidade, é ainda
gigantesca.
Nossa “missão”, como
os educadores do futuro, é diminuir essa distância. Sabemos, entretanto, das
dificuldades de tal empreitada. Há muito a se fazer, e não só no campo da
Educação. Não há como se pensar em “Educação”, sem se levar em conta os fatores
sociais e seus desdobramentos. Não há como ignorar o papel da família no
processo de formação dos indivíduos. Há que se conscientizar as pessoas que é
nos primeiros anos da vida que se forma o caráter, que criancinhas aprendem
MUITO com os exemplos que tem à sua frente, e que o professor não é o
responsável pela criação de seus filhos, mas por sua educação, ou seja, processo
de letramento, docência e acompanhamento acadêmico, e que o maior responsável
direto pela criança é ele, o pai, é ela, a mãe. Se conseguirmos fazer os pais o
futuro perceberem tal realidade com mais compromisso, aí sim, daremos um salto
verdadeiramente grande no sentido de unidos, pais e educadores, mudarmos os
rumos da educação como a conhecemos, e darmos às nossas crianças mais que
esperanças; Dar-lhes certeza de um futuro digno.
Como dissemos, um
grande salto. Mas há outros passos tão necessários quanto. É preciso que haja
estabilidade entre os outros fatores sociais que compõe essa equação. Parece
“chover no molhado”, mas o Governo tem uma parcela FUNDAMENTAL no processo.
Seria ingenuidade nossa ficarmos aqui falando da educação básica e sua
importância no processo de desenvolvimento do aluno e na necessidade de maior
compromisso dos pais na criação e orientação das crianças, e ignorarmos a
realidade social dessas famílias. Não podemos mais aceitar que as regras sejam
baseadas nas estatísticas da classe média, que sejam pensadas levando-se em
conta índices que nem sempre refletem a realidade. Há que se levar em conta que
a grande maioria da população brasileira é pobre,
que muitas famílias são desestruturadas, por diversas razões, e que o Brasil é
um país de contrastes e diferenças, e que são essas diferenças que compuseram o
Brasil, desde sua origem.
Há que se ter em
conta às múltiplas realidades vivenciadas por cada família, cada criança. Há
crianças que aprendem a ler e escrever a palavra “PAI” muito antes de saber seu
real significado. Muitos jamais saberão. Há crianças que precisam assumir
responsabilidades muito cedo, sendo os “pais” de seus irmãozinhos, pois seus
pais precisam trabalhar o dia todo, para ganhar esse mínimo salário mínimo, sem
o qual todos morreriam de fome. Há crianças filhas de lares instáveis, que são
vítimas de todos os tipos de abusos e privações, e ao contrário do que possam
pensar alguns, esses casos não são minoria.
Não podemos mais
pensar em uma escola que não esteja integrada à realidade de seus alunos, nem
podemos aceitar mais governos descompromissados com a educação das crianças e
com as questões sociais e pessoais das famílias. Como ensinar às crianças que
devem se alimentar corretamente, com todos os grupos de cores, se eles não têm
nada em casa para comer? Como lhes dizer que precisam estudar para ter um
futuro melhor se eles vêem seus pais desempregados? Como lhes dizer que se
afastem das drogas e do crime se mesmo formados, não terão oportunidades reais
na vida? Precisamos fazer alguma coisa. Precisamos mudar nossa concepção de
mundo, de tal modo que haja mesmo um futuro para nossos filhos.
É
nesse sentido que o presente artigo vem oferecer uma possibilidade alternativa,
para minimizar os impactos de todos esses fatores sociais na educação de nossas
crianças e efetivamente diminuir a evasão escolar na Escola-Alvo de nossa
problematização, a Escola Brigadeiro Fontenelle.
Durante
o processo de pesquisa para a confecção deste projeto, tive acesso a diversas
entrevistas, pesquisei jornais, livros sobre educação e pedagogia, revistas
especializadas em educação e sites. Dentre essas fontes de embasamento teórico,
citarei aqui no corpus do trabalho,
algumas dessas fontes, à guisa de exemplificação e elucidação. A íntegra dos
principais trabalhos que me orientaram nesse processo poderá ser encontrada
mais adiante, no Anexo I.
Uma
dessas fontes foi seguramente a reportagem publicada no Jornal Folha
de S. Paulo, Caderno Cotidiano, do dia 11 de setembro de 2000, de
responsabilidade de Fernanda Krakovics, sob o título “Música ajuda na alfabetização
de crianças” que diz, em
seu primeiro parágrafo, que “a música é cada vez mais usada para
alfabetizar, resgatar a cultura e ajudar na construção do conhecimento de
crianças carentes. Projetos que envolvem a música na integração social se
espalham por todo o país e são exemplos de sucesso”.
Segundo a Assessora de Comunicação do Unicef (Fundo das Nações Unidas
para a Infância), em Brasília, Florrance Bauer, “a música atrai a criança,
serve de motivação, deixa-a mais atenta e é um instrumento de cidadania,
contribuindo para a elevação de sua auto-estima. A isso se deve o grande número
de projetos de educação através da música no Brasil e seu sucesso.”
Ainda na mesma reportagem, a diretora de cultura da Didá Escola de
Música, em Salvador, Vivian Queiroz, diz que “a rotina das oficinas de
percussão, teclado, bateria, canto e instrumentos de corda desenvolve nas
crianças e adolescentes, sem que eles percebam, valores como disciplina e
integração.” Segundo Vivian, a música está presente, desde muito cedo, no cotidiano
das crianças e, por isso, “elas (as crianças) têm uma sensibilidade
musical impressionante, em grande parte porque acordam e dormem ouvindo
música.”
Outra iniciativa de educação através da música acontece na escola Centro
Educacional Daruê Malungo, na cidade de Recife. Lá, além das aulas de percussão
e de outras oficinas culturais, são oferecidas aulas de alfabetização onde o
método de ensino, porém, é baseado na música.
Segundo a diretora Vilma Carijós, “aqui o ‘a’ é de atabaque, e não de
avião, o ‘b’ é
de berimbau e o ‘c’, de caxixi. Também utilizamos como texto letras de
música”. Acredita que, desta forma, facilita a aprendizagem dos alunos “por
fazer parte da vida deles.”
Há outro projeto, intitulado “Música na Escola”, parceria da Secretaria Municipal
do Rio de Janeiro com o Conservatório de Música Brasileira, que também trabalha
a música em classes de alfabetização. Esse projeto envolve os professores da
rede municipal de ensino que, depois de freqüentarem oficinas de capacitação em
que têm aulas de voz, construção de instrumentos e cultura popular, aplicam o
que aprenderam em salas de aula.
Segundo o educador musical Sérgio Henrique Alves de Andrade, a música
não está na escola como uma atividade recreativa, mas sim na construção do
conhecimento. Ele vê como primordial no projeto, o resgate cultural, e ressalta
que “as crianças geralmente não têm acesso à música popular, à diversidade
de ritmos. Quando levamos isso para a sala de aula, elas se interessam.”
Outra
experiência bem sucedida está sendo aplicada aos alunos da quarta série da
Escola Municipal de Ensino Fundamental Marechal Rondon, em São José do Norte.
Os alunos
estão aprendendo Matemática, Ciências, Português e outras matérias dentro do
projeto “O Tom da Vida” idealizado pelas professoras Marisane Martins e Ladelan
Scott Hood, cujo início aconteceu no começo deste ano, depois que as
professoras perceberam a falta de interesse dos alunos em ir para a escola.
“Como a minha turma é de alunos repetentes, eu não quis repetir o conteúdo da
mesma forma que eles já viram. Por isso, ouvi o gosto deles, e todos gostavam
de música”, diz a professora Marisane. A partir da letra das músicas escolhidas
pelas professoras e pelos próprios alunos – os conteúdos são trabalhados de
forma globalizada. “A vida não tem separações. Eles precisam atender tudo ao
mesmo tempo”, afirma Marisane.
Através da
música Planeta Água, de Guilherme Arantes, como exemplo, as professoras passam
lições de sinônimos e antônimos, interpretação, valores, meio ambiente,
hidrografia do Rio Grande do Sul e sistema de numeração. Tudo de forma
divertida e quebrando a rotina e, assim, estimulando o prazer dos alunos em
aprender. “O aluno precisa querer ficar na escola, senão ele não aprende”, diz
a professora Ladelan.
Essa
iniciativa já trouxe resultados positivos nas duas turmas. Segundo as
professoras, o envolvimento dos alunos hoje é bem maior. “É bom, gosto de ouvir
música. Nem perco mais as aulas”, afirma o estudante Douglas Viana, de 11 anos.
O projeto foi apresentado na Secretaria Municipal da Educação e Cultura do
Município e pode ter seguimento no próximo ano. “Tudo vai depender do interesse
das turmas”, finaliza Marisane.
Há várias formas de se trabalhar a
Música na escola, por exemplo, de forma lúdica e coletiva, utilizando jogos,
brincadeiras de roda e confecção de instrumentos, como sugere Sonia Regina Albano de Lima, diretora da regional
paulista da Associação Brasileira de Ensino Musical.
"Dessa forma, a música é capaz de
combater a agressividade infantil e os problemas de rejeição", justifica
ela.
Nas
escolas da rede municipal de Franca, onde o Projeto de Educação Musical já
existe desde 1994 (ou seja, muito antes da lei nº 11.769 entrar em vigor), as
crianças não só ouvem música, como a produzem, fazendo pequenos arranjos e
tocando instrumentos como a flauta doce e alguns de percussão. Elas também
vivenciam a música, por meio de trabalhos corporais que desenvolvem a atenção e
a coordenação motora. "Não queremos formar músicos, mas desenvolver a
criticidade para não aceitar tudo o que a mídia impõe, conhecer as raízes da
música brasileira, despertar o gosto pela música, preservar nosso patrimônio musical
e aumentar o repertório musical nacional e internacional", conta Lisiane
Bassi, professora da rede pública estadual.
Além destas iniciativas que acreditam e vêm na música a possibilidade de
reintegração social e construção do conhecimento, temos conhecimento de alguns
outros projetos espalhados por vários pontos do país. Entretanto, vale
ressaltar, que são projetos isolados e que visam, principalmente, crianças
carentes e/ou de risco. Bom seria se servissem de exemplo e de parâmetro para
uma política educacional mais comprometida com a educação infantil e o ensino
fundamental e que pudessem ser disseminados para todas as escolas do ensino
fundamental e médio do país.
Após
analisarmos tais exemplos de sucesso, fica patente a relevância do ensino
através da música, um dos fatores de nossa pesquisa.
Já
sobre o teatro como forma de ensino, nos diz Rubem
Queiroz Cobra, doutor em geologia pela Universidade Federal de
Minas Gerais e autor do site COBRA PAGES:
“O
Teatro na Educação, ou Teatro Educativo, ou ainda Teatro Pedagógico,
consiste em trazer para a sala de aula as técnicas do teatro e aplicá-las
na comunicação do conhecimento. As possibilidades do Teatro como um instrumento
pedagógico são bem conhecidas. Esteja o aluno como espectador ou como
figurante, o Teatro é um poderoso meio para gravar na sua memória um
determinado tema, ou para levá-lo, através de um impacto emocional, a refletir
sobre determinada questão moral. Esta é, portanto, uma questão assente, ponto
do qual podemos partir para examinar os aspectos práticos, de sua utilização
pelo Pedagogo.
O
enfoque aqui adotado não é o da preocupação com crianças que têm problemas de
aprendizagem, mas com o comportamento social e moral do jovem psicologicamente
normal, não apenas apto, mas também desejoso de um aprendizado de valores, de
aspectos psicológicos do comportamento, de opções vocacionais, de Boas-maneiras
e Etiqueta para bem relacionar-se com pessoas, etc. O Teatro será um recurso
opcional importante para a Formação
Comportamental, que é uma atividade pedagógica proposta neste Site para ser
inserida na Orientação Educacional (Vide: O ORIENTADOR EDUCACIONAL
E O SEU MOMENTO).”
Há ainda o Grupo
de teatro científico “Ciência na Cabeça” que traz, na sua terceira montagem, o
espetáculo “Frankenstein: a ciência no divã”.
Formado por alunos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG) e coordenado pelo professor Alfredo L. Mateus do Colégio
Técnico da UFMG (COLTEC), o grupo apresenta nessa montagem uma adaptação do
clássico de Mary Shelley, Frankenstein. O espetáculo é repleto de experimentos
e discussões que abordam diversos assuntos de física, química e biologia. Já
foram feitas oito apresentações para um público estimado de 2.500 estudantes de
ensino médio e superior e professores.
Este trabalho tanto tem contribuído para a formação acadêmica dos seus
integrantes como mostrado o lado lúdico da ciência, trazendo aos alunos a
física, a química e a biologia de uma forma agradável e diferente.
No campo da sétima
arte, o cinema, há alguns trabalhos já experimentados e funcionais, como é o
caso do trabalho desenvolvido pelo Professor de
filosofia, romancista e ensaísta, Ollivier Pourriol, em seu livro Cinefilô:
as mais belas questões da filosofia no cinema (Zahar, 2009),
que promove aulas em um cinema de Paris onde relaciona filosofia e cinema.
Acreditando piamente que a sala
escura do cinema permite a rara fusão entre imaginação e racionalidade, o
francês Ollivier Pourriol teve uma idéia inusitada: ensinar filosofia através
de enredos de filmes cultuados no mundo inteiro. Que tal aprender com Brad
Pitt, Tom Cruise, Bruce Willis e Christopher Lambert? O Clube da Luta, por
exemplo, leva a um saboroso debate sobre a liberdade; Colateral é pretexto
para salientar noções de método; O sexto sentido remete às fronteiras entre
consciência e percepção. Assim, por meio de personagens da cultura pop, com
seus dilemas contemporâneos, questões tradicionalmente consideradas
“difíceis” chegam até o leitor leigo de forma compreensível, envolvente e sem
banalizações. A filosofia se torna finalmente um conhecimento ao alcance de
todos.
Palavras
do autor:
A IDÉIA
POURRIOL. Eu
buscava sair da maneira tradicional de ensinar filosofia, e eu passei pelo
cinema utilizando extratos de filmes, fazendo, para os meus cursos,
apresentações dentro do cinema com filmes. De maneira a transformar o cinema
em objeto de pesquisa filosófica, mais do que fazer um curso magistral
habitual, porque as duas coisas que gosto mais são mesmo a filosofia e a
literatura, e com o cinema tornam-se três. Eu me perguntava se há ligação entre
as coisas que amo, e também vontade de saber se há ligação entre a abstração
filosófica e a maneira como montamos as imagens, como enquadramos, como
filmamos; o que é a idéia do cinema? É isso que me interessa; o que o olho do
espírito tem a ver com o olho da câmera, e como isso se conecta.
Eu explorei
isso com dois grandes filósofos difíceis do século XVII; peguei Descartes e
Spinoza. Com os dois utilizamos a metáfora do olho, da luz da razão, a
intuição etc. E eu me perguntei se era possível compreender alguma coisa no
cinema, mesmo se o cinema não existisse. Eu apresento associações entre
textos e filmes de onde se desenharia o cinema. É um laboratório aberto, as
pessoas podem propor, intervir, não há classificação entre eles, filme
“cabeça”, grandes filmes comerciais..., não há a hierarquia acadêmica; é um
lugar de prazer, de troca, de reflexão. As primeiras idéias que temos,
verdadeiramente mesmo, na história do desenvolvimento de uma criança, é o
cinema, a televisão..., são, atualmente, as imagens; e as imagens montadas,
as imagens que contam uma história, que são primeiras. Deduzi então, bem... a
filosofia, no fundo, agora vem em segundo...
Metodologia utilizada:
|
Sobre o trabalho executado por Pourriol, Edilson Pereira, colunista do
site Paraná On-line assim
discorre:
|
“Pourriol começou a desenvolver o seu
método em sala de aula em 2006, no último ano do colegial. Depois continuou
numa sala de cinema, no cineclube MK2 da Biblioteca de Paris. O sucesso
imediato o levou a fazer quatro conferências sobre a experiência.
O professor diz que não se trata
simplesmente de ensinar filosofia por meio do cinema, mas de confrontar cinema
com filosofia. Assim como ocorre na ficção científica em relação à física e
outras ciências, ele diz que muitas vezes o cinema esclarece mais sobre
filosofia graças a seu poder de identificação.
E foi assim que ele levou a sua galera
para a sala de cinema e ensinou noções de dois grandes nomes da filosofia
moderna: o francês René Descartes (1596-1650), pai do racionalismo e quem deu o
pontapé inicial na Idade Moderna, com a expressão lapidar "Penso, logo
existo".
O outro filósofo em questão é o
holandês Baruch Spinoza (1632-1677), que, ao contrário de Descartes, achava que
a emoção só pode ser superada pela emoção e nunca pela razão. Um duelo de
gigantes, aliás, também nome de filme.
Pourriol, jovem francês com cara de
jovem professor francês de filosofia, introduziu elementos de cultura pop e
botou Brad Pitt, Tom Cruise, Bruce Willis e Christopher Lambert para
ensinar filosofia para a galera.
Pourriol começou com Descartes e
Spinoza porque ambos procuraram universalizar o seu pensamento, conferindo uma
forma mais acessível, democrática. No caso de Descartes, em vez de escrever
suas obras em latim, ele optou pelo francês.
No caso de Spinoza, escreveu à maneira
dos geômetras. Os dois também utilizam a metáfora do olho e da visão para falar
sobre o espírito. Em Descartes, a luz da razão e em Spinoza "os olhos da
alma". Segundo o professor, estas questões se relacionam com o mundo do
cinema, através de metáfora, com os movimentos de câmera.
E como é que se dá isso na prática? Em
Colateral, de Michael Mann, Tom Cruise personifica um matador profissional. Há
uma cena numa boate em que cada movimento de câmera, de acordo com Pourriol,
corresponde a um preceito do método cartesiano.
Está tudo ali: "Idéia clara e
distinta (do desfocado à definição), divisão da dificuldade (zoom), invenção de
uma ordem não natural (montagem), enumeração (panorâmica).
É delicado resumir, ainda mais sem
estar assistindo ao filme, e eis por que no livro proponho uma montagem de
trechos de filmes com descrições e diálogos, numa ordem que permite construir a
idéia", diz ele.
Ou seja: é uma maneira de aprofundar
uma discussão sobre filmes, servindo também de método para compreender outros.
Então é uma questão de método? Sim, diria Jean-Paul Sartre, também filósofo
francês. É uma questão de método”.
3 - Conclusões
Tendo
em conta a pesquisa aqui realizada e seus respectivos resultados, podemos
concluir que a abordagem artística, com foco na música, cinema e teatro, tem
produzido resultados largamente satisfatórios nas escolas e Estados onde é
realizada, o que me leva a crer que, com as devidas adaptações e ajustes, tais
projetos serviriam perfeitamente para originar outros com enfoques mais
específicos para nossa realidade paraense, e que fatalmente serviriam como
proposta pedagógica no combate à evasão dos alunos na Escola Brigadeiro
Fontenelle, alvo de nossa problematização.
Concluímos
ainda que é plenamente possível a realização de uma educação inclusiva, voltada
para os alunos e seus interesses, de modo a que eles tenham prazer em
freqüentar a Escola. Basta para isso, que nós, educadores abramos nossas mentes
à outras formas pedagógicas, além das que já conhecemos. È preciso que tenhamos
humildade para reconhecer que em muitos casos, não passamos de meros
repetidores do que nos foi ensinado, da forma que nos foi ensinado. É preciso
que tenhamos o foco na EDUCAÇÂO de nossos alunos, não apenas em seu processo de
letramento, o que nos levará a novos níveis de compreensão de nossa condição de
educador e aos nossos alunos, a desenvolverem seu potencial máximo, enquanto cidadãos,
artistas e produtores de conhecimento.
Pudemos
perceber ao longo da pesquisa, que o maior fator de evasão escolar nos dias de
hoje, tem sido mesmo o desinteresse dos alunos pelos conteúdos ministrados em
sala de aula, o que os leva a não prestarem atenção ao professor, nem mesmo
quando estão ainda frequentando à escola.
Compete
a nós, futuros professores, não só os de Letras, mas todos, assimilar essa
realidade e buscar desde os nossos primeiros momentos no magistério, fazer a
diferença. Cabe à nós a tarefa de fazer a Lei 11.769 ser cumprida, e bem
cumprida. Não apenas ensinando música para as crianças, mas utilizando-nos dela
para transmitir conhecimentos.
É nesse intuito que propomos uma
nova visão sobre a Lei de Diretrizes e Bases, utilizando-a de uma forma
COMPLETA e responsável, para melhorar a forma de educar no Brasil e quem sabe
assim, mantermos nossas crianças na escola, que é o lugar delas.
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