terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Aula de Amizade

Laços quebrados, de questões
mal resolvidas,
Mãos atadas e olhar
adormecido.
Pés presos a grilhões
de palavras proferidas ou não.
Coração preso ou solto demais,
a ponto de obrigar a gritar.

Tarde ou cedo, chegaríamos a uma conclusão.
Tarde ou cedo, saberíamos definir o valor da amizade.
Mas o que é amizade? Será que é aceitar tudo calado, ou é apontar o que tá errado?Penso que é um pouco dos dois, que há certas coisas que devem ser ditas, e outras não, há momentos em que precisamos levar um sacode da vida, precisamos que alguém diga"por ai não, faça deste jeito que é melhor" porque muitas das vezes quem está do outro lado encherga com mais clareza, ssem a emoção de quem passa.
Temos que aprender que nosso ego, nossos costumes não se aplicam a casa alheia, que dar bom dia, bom tarde, boa noite faz parte de uma boa educação, e temos que levar adiante aonde colocamos nossos corpos cansados.
Talvez seja mais fácil flar e escrever sobre isso, mas o valor da conquista consiste exatamente nisso, em ser dificil, a vida poderia ser mais simples, mas não podemos usar os acontecimentos do passado como bússola de nosso futuro, o passado ficou lá onde é o lugar dele, temos que aprender sim com o que passou, mas não carrega-lo como a um peso morto.
E pode largar mão,
Largar mão de ser criança.
E pode largar mão,
Largar mão de mimos.
A vida se precipita ao lado de
quem é forte.
Agita a cabeça, conforme a batida,
Mas não vacila com a desafinação.
Ande com pés e cabeça na realidade,
Apesar que fugir um pouco de lá é bom.
Nós podemos até parecer estranhos, mas liberdade tem que ser com responsabilidade, e liberdade tem haver amizade, tem amigos e amigos, há aqueles que lhe dão liberdade para você falar o que quiser, há aqueles que não, mais nisso é preciso ter paciência e inteligência para definir, quem é quem, se o amigo é fiel e verdadeiro, irão de desentender, mas se perdoarão mutuamente, verdadeiras amizades não custam nada, apenas uma vida!

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Daniela Vieira
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Texto original da Dani! Bjs, irmãzinha!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Inconsequentes



Noites quentes,
Tempos presentes,
Vidas ausentes,
Peitos dormentes.



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Original: Guilherme Castelo. 09

Mabel



Você disse que queria ser livre,
Você disse que queria viver,
Você disse que invejava quem vive,
feliz sem saber o porquê.

Você veio e eu te dei o meu mundo,
era tudo o que eu tinha pra dar...
Eras feliz mas eu sabia, no fundo,
que o meu tudo não te ia bastar...

Não importa pra onde te mudes,
Não importa com quem tu te vás,
Saibas que apenas te iludes,
Enquanto teu coração não mudar.

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Original: Guilherme Castelo 09

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Uma vida, duas visões...



Não é incrível como existem tantas verdades para os mesmos fatos?
Olhe esse exemplo:

Diário dela:


No domingo a noite ele estava estranho. Saímos e fomos até um bar para tomar uma cerveja.

A conversa não estava muito animada, de maneira que pensei em irmos a um lugar mais íntimo.

Fomos a um restaurante e ele ainda agindo de modo estranho. Perguntei o que era, e ele disse que nada, que não era eu. Mas não fiquei muito convencida. No caminho para casa, no carro, disse-lhe que o amava muito e de toda sua importância.

Ele limitou-se a passar o braço por cima dos meus ombros. Finalmente chegamos em casa e eu já estava pensando se ele iria me deixar!

Por isso tentei fazê-lo falar, mas sem me dar muita bola ligou a televisão, e sentou-se com um olhar distante que parecia estar me dizendo que estava tudo acabado entre nos.

Por fim, embora relutante, disse que ia me deitar. Mais ou menos 10 minutos ele veio se deitar também e, para minha surpresa correspondeu aos meus avanços, fizemos amor. Mas depois ele ainda parecia muito distraído e adormeceu.
Comecei a chorar, chorei ate adormecer. Já não sei o que fazer. Tenho quase certeza que ele tem alguém e que a minha vida é um autêntico desastre.

Diário dele:

O meu time perdeu. Fiquei chateado a noite toda. Pelo menos dei umazinha.

Mas ainda tô chateado… Time de bosta!



Matriz ou Filial



Quem sou eu
Pra ter direitos exclusivos
Sobre ela
Se eu não posso sustentar
Os sonhos dela
Se nada tenho
E cada um vale o que tem

Quem sou eu
Pra sufocar a solidão da sua boca
Que hoje diz que é matriz e quase louca
Quando brigamos diz que é a filial

Afinal
Se amar demais passou a ser o meu defeito
É bem possível que eu não tenha mais direito
De ser matriz por ter somente amor pra dar

Afinal
O que ela pensa conseguir me desprezando
Se sua sina
Sempre é voltar chorando
Arrependida me pedindo pra ficar.


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Compisição: Lúcio Cardim
Intérprete: Jamelão

domingo, 4 de outubro de 2009

Dicionário Papa-chibé I



A LÍNGUA PARAENSE
AÇU - Na língua paraense o sufixo é muito usado e significa grande. Dizem os sabichões que deriva do tupi.
EXEMPLO:
Duas gatinhas estão dando uma volta pelo shopping. De repente, uma delas aponta para um coroa que vai passando e coenta:
- Tá vendo aquele, cara?
- Tô.
- É um sacana-AÇU. Fez meu mano perder um milhão de reais.
- Égua! Foi na poupança, algum negócio, transação imobiliária? - Nada, mana. Ele não deixou o meu irmão casar com a filha dele...
BUIADO - Endinheirado, cheio da grana.
EXEMPLO:
O marreteiro explica para um conhecido dele ali na Feira da Praça da República: - Tô vendendo agora estatuetas do Cristo Redentor. Tremendo negócio. Tô vendendo de montão. Vou ficar rico, cara. - Tenho cá as minhas dúvidas? - Por que? - Ora, Judas vendeu o próprio Cristo e não ficou BUIADO...

CABOQUEAR - Paquerar, namorar, dar uns amassos nas morenas do interior.
EXEMPLO:
O casal está emboletado num banco de praça e pinta um guarda. - Êpa! Não pode ficar CABOQUEANDO aqui na praça depois das 11 da noite. Diz o cara: - Olhe, seu guarda, nós somos casados. - Por que não vão conversar em casa? - Égua, seu guarda! Se formos pra casa, o marido dela me mata...

DESMANCHO - Desarranjo intestinal, forte disenteria.
EXEMPLO:
O pirralho era por demais guloso, a mãe chegava a ter vergonha de levá-lo na casa dos conhecidos. Vai que um dia uma amiga telefona e convida para o aniversário do filhinho. O guloso começa a pentelhar a mãe: - Ei, mãe! A gente vai, né? Vai ter brigadeiro, empadinha, arroz de galinha, refri, vai ser legal à beça. Não posso perder. A mãe foi conversar com o marido. Ele resolveu: - Leva Isaurinha. Tá na hora desse estômago de avestruz aprender a se comportar à mesa. No dia da festinha, a mãe marcava o guloso sob pressão. Todo tempo colada nele. Depois do pestinha ter se empanturrado, a mãe ordenou: - Agora, chega, Candiruzinho ou você vai acabar tendo um DESMANCHO daqueles de tanto comer porcaria. Vai acabar estourando!

ÉGUA - Eras! Puxa! Pô! É uma das expressões mais peculiares da língua paraense.
EXEMPLO:
Passam duas mulheres em frente a um bar. Um dos sujeitos que está lá, comenta com o outro: - Ih, cara, tô frito. Olha só quem vem lá: a minha mulher e a minha amante, juntas. E o outro também no maior desespero: - ÉGUA! Você me tirou a palavra da boca!

FLOSÔ - Numa boa, tranquilamente, sem problemas.
EXEMPLO:
O casal, a mulher um bagulhão, coroa, cheia de varizes, foi ver uma casa para alugar. No que chegaram no quarto a gordona alertou para uma janela enorme. - Xi, preto, temos que comprar uma cortina pra cá. Senão o vizinho vai ficar me espiando. Você compra a cortina? - Compro, nada! Deixa ele ver a primeira vez que depois eu fico DE FLOSÔ e ele mesmo compra a cortina e coloca...

GIQUIGI - Apertado, pequeno, justo.
EXEMPLO:
O maridão convidando a esposa para irem curtir uma festança na roça na casa de um conhecido dele. - Nega, vai te aprontar. Vamos lá na casa do Noca que o lance vai ser porreta. - Tudo bem, já tô indo. - Olha, nega, bota aquele shortinho que eu te dei, aquele jeans... - Ah, aquele não dá, mô. - Por que, já? - É que eu engordei um pouco e ele tá muito GIQUIGI...

HEN-HEN - O vocábulo - de origem tupi - na língua paraense equivale a uma afirmação: sim.
EXEMPLO:
Uma repórter vai entrevistar um jogador de futebol pouco antes dele adentrar no gramado. - Por favor, uma perguntinha rápida ao nosso microfone. Seguinte: você tem o costume de transar antes dos jogos? E o jogador: - HEN-HEN! Não só antes do jogo como também depois. Só não faço sexo durante porque Sua Senhoria pode se invocar e me mandar pro chuveiro...

INTICAR - Implicar, intrigar, provocar.
EXEMPLO:
A fulaninha pra lá de boazuda cisma de ver o pôr-do-sol acolá, na Feira do Açaí. De repente, irrompe um elemento, aponta um canivete para a gostosona e obriga que ela o acompanhe até um canto mais ou menos deserto. Em seguida, dá uma transada com a mulher. Mas o sujeito só queria mesmo transar, não feriu a boazuda, nem nada. Ia se mandar quando a vítima berrou: - Êpa! Não fuja, patife! Vou chamar a polícia e denunciar que você abusou de mim sete vezes, de tudo quanto é jeito! O homem bestificado: - Sete vezes, dona? - Isso mesmo! O senhor me usou sete vezes! - Que é isso, dona? A senhora quer me INTICAR, é? Foi só uma vez... - Uma vez, por enquanto. Mas o senhor não está com pressa, está???

JÁ MÉ VU - Adeus, até logo, vou embora.
EXEMPLO:
A patroa depara com o maridão saindo da Pensão da Cotinha completamente embriagado. Lastima: - Poxa, Miquelino, você não faz idéia de como me entristece vê-lo sair assim de um bar. - Eras, Maricota, francamente. Não sei mais o que fazer para te agradar. Ainda ontem você me disse que se entristecia de me ver entrar num bar. Por isso - hi!chic! - JÁ MÉ VU...

KATSU - Um apelido do cacete.
EXEMPLO:
O delegado flagra um sujeito completamente embriagado e dá a célebre voz de prisão: - Teje preso! E o coçado: - Teje preso é o KATSU! Você me prende hoje e amanhã eu tô solto. Mas quando eu lhe prender, você nunca mais vai sair, cara. - E quem você pensa que é pra me ameaçar desse jeito? - Eu sou coveiro do cemitério, pô!

LAMBAIO - Aquele que está sujeito a outro, serviçal.
EXEMPLO:
Urinaldo, que jamais havia bebido, chega em casa embriagado. Aflita com aquilo a patroa de Urinaldo quer saber o porquê daquela situação. E o Urinaldo explica: - Foi o oculista que mandou. - Êpa! Por acaso você é LAMBAIO dele? Não acredito nisso, não! - Pois leia a receita e veja se não diz: "Pinga de hora em hora"...

MUNDIAR - Magnetizar, encantar, assombrar.
EXEMPLO:
Naquele hospital a jovem senhora consulta um catálogo telefônico e de tão concentrada que está, chega nem pisca. A enfermeira pergunta: - Escute, aqui: por que a senhora está assim tão compenetrada? Parece até que a senhora está MUNDIADA pela lista telefônica. O que houve? - Ah, é que eu estou procurando um nome para o meu filho. - Então é isso? Olhe, nós temos aqui uma lista especial com uns 500 nomes para crianças. E a mãe na bucha: - O guri já tem nome, enfermeira, eu estou é procurando pelo sobrenome...

NÃO ENCHE A PEREMA - O mesmo que não chateia, não perturba.
EXEMPLO:
Toda alegrinha a mãe chama a filha de sete anos e pergunta que presente ela quer ganhar de aniversário. A menina responde: - Pílula! Estupefata a mãe indaga: - A pílula? Mas por que a pílula, minha filha? - Ora mãe, NÃO ENCHE A PEREMA! Eu já tive sete bonecas e não quero ganhar mais uma...

ORA, NÃO ME RACHA - Não enche, não amola, não aporrinha.
EXEMPLO:
Dois colegas estão levando um papo esperto. Um deles pergunta: - Escuta aqui, cara, o que tu quer ser quando crescer, hein? - Ah, eu quero ser todo cabeludo, cara. - ORA, NÃO ME RACHA! Isso não é profissão! - É, mas rende à beça. A minha irmã só com um pouquinho de cabelo no lugar certo sustenta a família inteira...

PAI-D'ÉGUA - Ótimo, perfeito, maravilhoso.
EXEMPLO:
A gatinha se aproxima da mãe com ar de superioridade: - Lembra, mãe, quando a senhora me ensinou que o caminho do coração de um homem passa pelo estômago? - Claro, que lembro, meu bem. - Pois vou lhe contar uma coisa: acabo de descobrir um caminho muito mais PAI-D'ÉGUA!

PAPACHIBÉ - É o apelido que designa quem nasce no Pará.
EXEMPLO:
As duas turistas que vieram curtir as festas de fim-de-ano com a família, passam em frente a uma construção. Uma delas comenta chateada para a amiga: - Nossa! Esses PAPACHIBÉS são uns grossos! - São mesmo! Todos eles, sem exceção. - Pois é. Essa é a segunda vez que a gente passa por aqui e eles - ó - nada. Nem deram um assoviozinho pra nós...

QUIRIRI - Quieto, manso, tranquilo.
EXEMPLO:
O sacrista é flagrado assaltando uma joalheria e é levado à presença do delegado que o interroga: - Então, o senhor confessa que forçou a porta da loja usando um pé-de-cabra? - Sim, doutor, eu confesso. - Mas o senhor fica aí todo QUIRIRI, não está arrependido? - Não, senhor. Queria só cumprir o último desejo do meu pai. - Como assim? Seu pai por acaso queria que senhor fosse ladrão? - Não, senhor. Mas o sonho do meu velho era que eu abrisse uma joalheria...

ROER UMA PUPUNHA - Encarar uma grande dificuldade, ter que superar um problema difícil.
EXEMPLO:
Numa jornada de autógrafos no Centur, o sujeito pergunta para um conhecido: Ah, meu chapa, para ganhar a vida eu tenho que ROER UMA PUPUNHA. Eu escrevo. - O senhor tem quantos livros publicados? - Nenhum... - Eu sei, o senhor escreve para jornais e revistas, não é? - Também não. Escrevo todos os meses pedindo para minha família...

SUCO, SUMANO - Uma expressão de espanto e de perplexidade.
EXEMPLO:
O garotão chega em casa morto de fome e é recebido pela mãe toda sorridente, que fala: - Oi, filhão! Você nem sabe o que tem ali na cozinha, guardadinho pra você... O garotão todo derretido: - Ôba! Você fez aquele doce de cupu? Ou foi pudim de bacuri, hein, mãe? - Negatofe! Na porta da cozinha tem 5 sacos de lixo pra você levar pra rua e já... - SUCO, SUMANO!

TUCANDEIRA - De tamanho reduzido, curta, pequena.
EXEMPLO:
A fessora escorrega e cai na sala de aula. Na queda, a saia sobe até a cabeça. Ela levanta-se e passa a interrogar a classe: - Pedrinho, o que você viu? - Sua perna, fessora. - Uma semana de suspensão! Você Joãozinho? - Eu vi seu joelho, fessora. - Um mês de suspensão! Candiruzinho, o que você viu? Candiruzinho levanta pega seu material e vai saindo da sala: - Sabe, fessora, com a queda, sua saia ficou TUCANDEIRA. Turma, até o ano que vem...

URUBUSSERVAR - Ver, olhar, espiar.
EXEMPLO:
O vida-torta vai em cana, mas antes de ir para o xadrez o delegado faz questão de falar com ele. - Ei, Pedrão! Essa é centésima vez que eu tô URUBUSSERVANDO tua cara aqui nesta delegacia! - Sinto muito, otoridade. Não tenho culpa se os zomi num promove o senhor...

VASQUEIRO - Escasso, raro, que há pouco.
EXEMPLO:
Duas amigas batem um papinho. - Sabe, mana, desde que me casei o Neco não me fez mais nenhum carinho, não me procurou mais. - Nossa! Já que ele está assim tão VASQUEIRO, mana, pede logo o divórcio. - Mas como, mana, se ele não é meu marido... XERO - Equivalente a parceiro, camarada, amigo.
EXEMPLO:
Os dois se encontram na Pensão da Cotinha e levam um papo. - E aí, Zequinha, como vai o teu reumatismo? - Olha, tá pai-d'égua, cada vez melhor. - Êpa! Não entendo mais nada. Tu diz que tá pai-d'égua e taí com essa cara de funerária. Que é que há? - Pois é isso, meu XERO. Você perguntou sobre o reumatismo, né? Ele tá cada vez mais legal. Eu é que estou cada vez pior...

ZITO - Uma variação do gito, com o mesmo significado: pequeno.
EXEMPLO:
No restô da Pensão da Cotinha o freguês está enfezado: - Ei, garçom! Venha cá! - Pronto, chefia. - Olhe isso aqui. Esse bife além de ZITO está preto de tão queimado. - É que ele tá de luto, chefia. Ontem morreu um dos nossos cozinheiros!

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Retirado do Geocities. Infelizmente, não encontrei o nome do autor para fazer os devidos créditos. Fica aqui o meu agradecimento, contudo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Desejo um amor assim...


A intenção desse pequeno texto é falar de AMOR. De muitas formas, de vários tipos, com muitas caras. Amor desmedido, amor sem-vergonha, amor eterno, amor bandido. Todos os amores que sentimos ao longo da vida, e, aquele que sabemos ser o maior, verdadeiro, imortal.

Não é incrível a quantidade de vezes que dizemos: "eu te amo", na vida, sem realmente amarmos? Quantas vezes até acreditamos amar alguém, mas quando o sentimento é posto à prova, vemos do que é feito. Mas o que mais me impressiona, é, muitas vezes, não dizermos isso A QUEM DE FATO AMAMOS! É não valorizarmos essas pessoas enquanto estão ao alcance das mãos. É não lhe darmos um grande beijo ao nos despedirmos, e talvez não termos nunca mais a chance de fazê-lo. É não lhe olharmos nos olhos e dizermos:"Ei, você é muito importante pra mim. Descobri que não sei viver sem você e que te amo muito, apesar do tempo, das dificuldades, das incertezas. Te amo apenas por você existir na minha vida, e sou grato por isso."

É não valorizarmos essa pessoa pelo que ela é; É não estarmos "junto", quando ela precisa; É não perdoá-la, quando erra.

Amar é um constante aprendizado, mas tal como na escola, é preciso que PRESTEMOS ATENÇÃO. É preciso reciclar o que sabemos. É preciso EXERCITAR tais conhecimentos. E acima de tudo, é preciso ter humildade pra aceitar que sempre há o que aprender acerca da vida e do amor, que as pessoas são diferentes, logo, nem tudo se aplica; E que vamos errar um bocado tentando acertar, mas se dermos amor, o receberemos de volta.

Acredito nisso, mesmo que seja apenas na esperança de encontrá-lo. Ali na esquina, na fila do banco, no meio da rua... Encontrar o amor, que eu já conheci, mas sumiu daqui... Reencontrar o amor, e o agarrar bem forte, pra nunca mais partir...

E pra você? O que é o amor?
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Original: Guilherme Castelo

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Através da Vida


Como é complicada essa vida...
minha infância perdida,
não sei nem o porquê.

Tanta coisa esquecida,
tanta estrada comprida,
tanto ser ou não ser...

Fiz escolhas trocadas,
fui por estradas erradas
e temi me perder.

Também houve acertadas,
já dei muitas risadas,
já rugi de prazer...

De sucessos e fracassos,
evitei tantos laços,
sempre buscando saber...

Saber quais os passos,
pra preencher os espaços,
e de ninguém esquecer...
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Original: Guilherme Castelo

Catch a Fire!!

Daí lendo as notícias de hoje, me deparei com essa do Diário On-line:
FOTO: Wildes Lima

Trabalhadores do transporte alternativo da Região Metropoliana de Belém, revoltados com a quebra do acordo firmado entre a categoria, vereadores e CTBel voltaram a protestar.

Perueiros causaram transtornos hoje, pela manhã (foto: Wildes Lima)

Eles fecharam a avenida Padre Champagnat esquina com avenida Portugal, no Centro Comercial de Belém, e atearam fogo em pneus para bloquear o trânsito próximo ao palácio Antônio Lemos, sede da Prefeitura de Belém.

Durante a manifestação, perueiros jogaram bombas dentro da fogueira e causaram pânico nas pessoas que passavam. Em virtude da fumaça, alguns logistas da área tiveram que fechar seus estabelecimentos. Diário Online)

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Outra vez me deparo com notícias de protestos, feitos à base de fogo e fumaça. Tá virando moda, já há algum tempo, aliás. Contudo, não consigo me "acostumar" com essa idéia. Eu mesmo, na condição de "protestador" habitual de quase tudo, não consigo entender completamente a "lógica" por trás desse tipo de ação. Entendo a posição dos perueiros, veja bem, acredito que há MESMO necessidade de uma política pública que os leve a sério, uma vez que o governo não consegue resolver a questão do abastecimento de transporte coletivo (junto às empresas), e os perueiros, por outro lado, ajudam EFETIVAMENTE, na fluência do tráfego de Belém. Quase todos nós, usuários de ônibus, já tomamos uma van, em algum momento. E na maioria das vezes, é justamente porque NÃO TINHA UM ÔNIBUS QUE NOS LEVASSE. Quer dizer, isso é uma questão muito mais social que política. E econônica também, é claro. Afinal, SOMOS NÓS quem pagamos, tanto a passagem do ônibus, quanto do perueiro (que geralmente é ligeiramente mais cara). Pagamos até O SALÁRIO DOS POLÍTICOS QUE NADA FAZEM PARA RESOLVER A QUESTÃO!

Aí eles se reunem na câmara, fazem uma balbúrdia, promovem um quebra-quebra generalizado, e não importa quanto espetáculo deem, NADA SE RESOLVE.

Saem todos os "interessados" mais perdidos do que antes. O prefeito desapareçe nessas horas. E no dia seguinte, a fila no meu ponto de ônibus tá igualzinha. Ou pior.

É por isso que, cansados de tentar acordo enquanto são marginalizados, os perueiros resolvem se unir, para protestar, para reinvindicar seus direitos como cidadãos, e contribuintes, e no auge dessa idéia justa, eles resolvem... Queimar pneus? Fala sério pessoal, vocês podem fazer melhor. Não percebem que agindo assim só prejudicam à NÓS, os passageiros, seus clientes, QUE NÃO TEMOS CULPA NENHUMA? Não veem que assim você nos paralisam, o que inviabiliza uma série enorme de atividades ao redor da cidade, atividades como: as frutas e verduras que vocês querem comer, vindas da Ceasa, a cervejinha que bebem, que fica paralizada no trânsito e não pode ir pro freezer, além de questões mais sérias como o acesso que fica inutilizado para ambulâncias, grupamentos dos bombeiros, e todo o tipo de ajuda que outras pessoas possam estar necessitando naquele momento.

Quer outra? Vocês mesmos, que são trabalhadores, pessoas das quais outras pessoas dependem, expõe-se a riscos desnecessários, manipulando fogo e gasolina (enquanto deveriam estar trabalhando para levar o leite do Joãozinho, pra casa à noite), expondo-se às represálias da polícia, enfim... Mas uma das questões que julgo mais importantes (em função de seu potencial danoso), é a fumaça. Quantos quilos de fumaça negra, puro derivado de petróleo, carbono puro, são despejado na atmosfera à cada "protesto" desses? Todo mundo tá queimando pneus! Se pensarmos bem, será que os motoristas em geral já não poluem DEMAIS a atmosfera só com seus escapamentos? Ainda precisa de mais?

Imagino que se algum deles lesse isso diria: "então tá, sabidão, e qual é a solução?". Socraticamente, digo-lhes que não sei. Seria esperar demais de uma pessoa apenas, uma vez que vocês todos já estão há um tempão nisso e não resolvem. Posso apenas, opinar:

--> Reunam-se como um grupo coeso. Acertem suas diferenças internas antes de sair protestando. Nem vocês sabem ao certo o que querem. Já ouvi todo o tipo de "eu quero é", de vários perueiros.

--> Tentem utilizar os trâmites. Sim, como entidade (realmente) organizada, tentem buscar JURIDICAMENTE, apoio aos seus interesses.

--> Vão a todos os meios de comunicação falar, repercutir, insistir, denunciar, enfim, fazer todo o barulho possível

--> E finalmente, se nada disso resolver, façam o piquete. Mas o façam no lugar certo!! Façam na frente da casa do prefeito, do secretário de transportes, enfim, de quem tem OBRIGAÇÃO de lhes ouvir e resolver o problemas. Mas SEM FOGUEIRAS! Notem que quando vocês fecham avenidas e ruas, não é a ELES que vocês prejudicam. Eles podem sair tranquilamente de suas casas, e circular por onde quiserem com seus carros blindados. Somos nós que ficamos fritando no engarrafamento. Pergunto: É justo?

Então é isso gente. Meu protesto sobre o protesto. E dou só mais um último parecer: Se tudo o mais falhar, crie um blog, siga protestando e denuncie todo mundo!!!


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Independência ou Morte??!

7 de setembro. Comemoramos hoje a Independência do Brasil. O que está errado nessa frase? TUDO! Vejamos:

Comemora-se algo bom, algo de que se quer lembrar, comemora-se o sucesso em algo. Temos o que comemorar?

Independência... Desde quando? Somos até hoje totalmente dependentes, se não de Portugal, de todo o sistema capitalista, chefiado pelos EUA. Tanto que uns poucos loucos que especulem mal no mercado imobiliário deles causa uma crise no mundo todo...

Mas deixemos de ser tão fatalistas. Nos atenhamos à história: Quem "declarou a independência" do Brasil? Dom Pedro, filho do então imperador português, imperador esse que havia fugido para cá por medo de Napoleão e com sérios problemas com a Inglaterra. Com o exército francês se aproximando perigosamente da pátria lusa, a Coroa portuguesa não teve outra escolha a não ser voltar e tentar "marcar presença". Imaginem a pressão que esse imperador devia estar sofrendo dos outros membros da corte, seus patrícios. Mas não podia perder o Brasil, essa colônia maravilhosamente rica, que estava elevendo Portugal à patamares de Riqueza, poder e domínio como nunca antes. Sim porque, foi o ouro, o café, a cana-de-açucar e a borracha brasileira, além do sistema escravocrata utilizado por eles então, que os colocou no papel de maior império "colonizador", da época.

Por outro lado, rebentavam pelo país afora, uma série de insurgências e protestos, brasileiros insatisfeitos que não tinham perspectivas e sabiam-se explorados (peraí, ainda é assim!), que começavam a conspirar contra os desmandos do "Império" e da família Real, que no Brasil, havia tomado as melhores casas para si, os principais recursos, e ainda tinham o descaramento de andar de liteira, cheios de seda, pra cima e pra baixo.

Então pensemos: Se a família Real fosse toda embora, perderia o Brasil. Se ficassem, poderiam perder Portugal! E no meio dessa "dúvida" toda, D. Pedro "resolve" se unir aos insurgentes "contra o pai" e declarar a independência. Mas como assim? Se o próprio Imperador disse: "vai filho, e torna-te o imperador do Brasil. Prefiro que sejas tu, que um desses aventureiros"! Ou seja, foi um truque! Ilusionismo! E até hoje tentam empurrar isso para as nossas crianças. Não houve "independência", o que houve foi um caso descardado de nepotismo! Nem aquela cena bonita que vemos nos livros história foi daquele jeito. O cavalo dele era um "pônei" e nem tinha tanta gente assim às margens do Ipiranga. E de mais a mais, que papo foi esse de "Independência ou morte"? E por acaso Imperador iria ordenar a morte do próprio filho? Teve morte sim, mas dos nossos bisavós...

Resumo da ópera: Não temos o que celebrar (nesse sentido) pois não somos independentes.

Felizmente, o produto final dessa balburdia somos nós, brasileiros legítimos, formados na mistura de todas essas raças e culturas. Nós, os segundos donos da terra (primeiro os índios, hein?). Nós que sangramos nos trocos das fazendas, nós que fugimos para os quilombos, nós que fomos caçados como bicho. Sim, nós, pois essa terra e essa história são nossa herança. Eram nossos ancestrais africanos, indígenas, europeus, que ao se "misturar" criaram esse milkshake genético que somos. E nos orgulhamos muito disso.

Essa, aliás, é uma diferença fundamental entre nós e a maioria dos outros povos do mundo "civilizado". Os europeus, por exemplo, adoram se gabar de sua origem, seu pedigree. Povos como o espanhol e o alemão, fazem todo o possível pra não se "misturar", diluindo assim a "pureza do seu sangue". Muitos deles (franceses e ingleses, por exemplo), tem rivalidades seríssimas e "milenares" entre si. Cada um querendo ser mais "soberano" que o outro. Nós por outro lado, somos plenamente cônscios de nossa origem, e mais cônscios ainda de nossa IDENTIDADE. Ser brasileiro é justametne o oposto do que eles são. Brasileiro é mistura, é miscigenação, é soma. Sabemos que não descendemos de nenhuma raça milenar, e gostamos disso! Brasileiro gosta é de somar, de agregar. Brasileiro gosta é do oposto. Repare: Quantos casais interraciais você conheçe? Negão adora loira, e vice-versa. Só aqui é possível encontrar tantas pessoas de uma mesma nacionalidade com tantas características diferentes. Há brasileiro japa, negão, branquelo, ruivo... tem até malhado! E é exatamente isso que nos enche de orgulho: A diversidade. A nossa existência é um tributo à superação, e à sobrevivência a qualquer custo.

Então, nesse 7 de setembro, vamos comemorar a coisa certa: Celebremos o Brasil e os brasileiros. Celebremos a (pouca, eu sei...) tolerância que nos fez crescer como povo. Celebremos os nossos ancestrais, que batalharam pelo sonho de um país mais justo e livre, e nos ensinaram a não desistir jamais. Celebremos à memória de todos os homens e mulheres que deram suas vidas, através da história para defender nossa liberdade. Celebremos a todos aqueles que morreram (até hoje) tentando nos tornar verdadeiramente independentes. No pensamento. Nas atitudes.

Celebremos mas para não esquecer nossos heróis, os inconfidentes, os cabanos e tantos outros que com seu sangue, escreveram nossa história. Celebremos hoje, porque amanhã, a batalha recomeça...
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Original: Guilherme Castelo

À primeira vista


Chico César

Composição: Chico César

Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei...

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi prince, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei...

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...

Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan.....
Ohhh!
Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan.....

Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei...

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Salif Keita, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei...

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...

Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan...
Ohhhhh!
Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan.....

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...

Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan....

Ohhhhh!
Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan...(2x)

Ohhhhh!
Amarazáia zoê, záia, záia...

domingo, 6 de setembro de 2009

Porque eu sei que é amor...



Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova
Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
E eu peço somente
O que eu puder dar
Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta
Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo
Porque eu sei que é amor...
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Nova música de trabalho dos Titãs.
Letra muito boa, a melodia é que é meio
questionável...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Feliz Aniversário, Velho Amigo





Desde pequeno, me acostumei com você,
nem sabia andar, mas já vinha te ver.
Manhã de domingo, já tinha o que fazer,
perturbar pai e mãe, pra alguém me trazer.

Coisa mais linda do mundo,
Quando vi o peixe-boi na minha frente.
As ararinhas no fundo,
e os macaquinhos mexendo com a gente.

Já faz muito tempo,
mas não posso esquecer,
aquele dia de outubro,
em que conheci o poraquê.

Resististe tantos anos,
te tornaste secular.
Mesmo com perdas e danos,
continuas a me inspirar.

Te desejo longa vida,
espero mesmo que te salves.
Orgulho da minha Belém querida,
VIVA O BOSQUE RODRIGUES ALVES!

Imagens garimpadas em vários sites de imagens via Google.
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Original: Guilherme Castelo
Alusivo ao aniversário de 126 anos do Bosqu Rodrigues Alves.
Última nota: A desconstrução rítmica é INTENCIONAL!

domingo, 30 de agosto de 2009

Metades



Toda Mulher inteira
É feita de duas metades.
Enquanto uma Mente,
A outra diz a Verdade.
.
Se uma metade gosta,
A outra não quer saber.
Metade está disposta,
Outra quer esquecer.
.
Se um pedaço é Anjo
a nos enternecer,
o outro lado é o Demo
A nos enlouquecer.
.
Mulher prá ficar inteira
Tira pedaços de um Homem.
Como foi feita a Primeira,
Até hoje nos consomem.
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Creio que o texto seja de Pedro Malanski.

O retirei do site:

http://
blig.ig.com.br/pedromalanski/page/2/

O que desejo



O que escrevo, o que digo, o que eu vejo,
Digo,
Porque desejo.

Aquele cheiro, aquele abraço, aquele beijo,
Beijo,
Porque desejo.

De tudo um pouco, por muito pouco, só mais um pouco,
Louco,
Porque desejo.

E o que desejo, só tenho um pouco, te chamo rouco,
Anjo,
Porque desejo.

Se não entendes, tudo o que digo, não é contigo,
Segue,
Porque desejo.

Desejo mesmo, poder ser livre,
de alma livre,
Amar,
Porque desejo.

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Original: Guilherme Castelo

E a chuva Cai...




A chuva cai no chão,
Pão.

A chuva cai na calçada,
Furada.

A chuva cai nas ruas,
Nuas.

A chuva cai à tarde,
Invade.

A chuva cai, não cai
Se vai.

A chuva cai tão bem,
Em Belém.
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Original: Guilherme Castelo

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Inconsciente (confusamente) Coletivo


Voltamos às origens, ao primata, ao ininteligível. É curioso constatar esses fatos agora, em um momento da história em que vivemos a plena efervescência da ciência, da tecnologia e (pasmem!), da comunicação. Como podemos viver tal paradoxo? Até parece que o excesso de informação causou uma confusão mental nas pessoas que ninguém mais se entende; quanto mais conhecemos a sociedade, menos queremos nos associar. De fato, em alguns casos deixamos até de ser sociáveis, uma vez que percebemos que nessa confusão, ninguém sabe em quem confiar. Políticos corruptos, policiais criminosos, cidadãos desonestos. Por outro lado, temos ecologistas assassinados, crianças seqüestradas, jovens espancados, índios queimados, balas perdidas, balas achadas, gente morrendo nas baladas, e a lista não termina.

Parece não haver mais limites para a barbárie. Qualquer motivo simples é o bastante para tirar a vida de alguém. Imagino que nem todos querem matar, mas é a capacidade que tem de infringir danos a outrem sem escrúpulos, arrependimento ou hesitação o que assusta; matar é a conseqüência, muitas vezes não desejada mas nem ao menos cogitada no momento de fúria, ou adrenalina, dependendo do caso. O uso de substâncias psicoativas também tem um papel fundamental no mau julgamento e no senso crítico das pessoas, sobretudo das que cometem crimes, pela própria tensão das situações em que geralmente se envolvem como assaltos, tiroteios, fugas, vinganças... O ciclo se repete; e a violência só aumenta.

Violência... Conhecemos tantas formas de violência que ás vezes, me custa acreditar que ainda haja mais que isso a se fazer com as pessoas. Contudo, minha razão me diz que infelizmente há, que não há limites para a imaginação e para a crueldade humana. Ninguém está seguro, em lugar algum. As grades são para nós, as ruas não.

Lembro de um proeminente corrup...(ops) político do estado do Pará, que ao ser questionado sobre a segurança pública no Estado, saiu-se com essas: “-Não há isso de insegurança pública, como estão dizendo, o que há é apenas uma sensação de insegurança”. Pode? Pode, ele tem carro blindado.

O que não pode é menores criminosos continuarem matando porque a lei os protege. Não pode é nossas crianças sendo raptadas, molestadas, mortas ou aprisionadas por anos em porões escuros. O que não podemos é consolidar o estilo Isabella de morrer. Não podemos é continuar comprando armas em concessionárias, para usar com munição etílica. Não podemos continuar tratando com tanta leviandade a única coisa valiosa que de fato temos, a vida.

E o que podemos fazer? Só a nossa parte, por menor que seja. Uns salvam vidas com remédios, outros com canetas. Alguns com a música te ensinam a sorrir, outros com as palavras que escrevem, te ajudam a pensar.

Sozinho no escuro (alone in the dark)

O que de fato significa estar só? Às vezes, estamos imersos na multidão e nos sentimos sós. Às vezes, trancados no silêncio do quarto, madrugada a fora, estamos mais acompanhados do que nunca. O coração não está só. A mente se acalma; ela sabe, e é o bastante.

Quantas vezes recebemos condolências de quem não se importa, apoio de quem de fato só nos que mal, sorrisos que querem nos devorar, aos pedaços. Quimeras e falácias. E pra nós, solidão.

Todos querem estar com alguém; poucos entendem o que isso significa. “Estar” além do físico, do presencial. Estar dentro de alguém é habitar mesmo, outra vida. É povoar pensamentos, é invadir os sonhos. Estar é mais que um verbo auxiliar, é um estado de espírito. É algo que não se força, se sente. Não se cobra, se espera.

O que dói mesmo é perceber que tantas pessoas tão importantes pra nós têm consciência de que o são, e ainda assim, não estão.

O país onde moro

Puta merda! A gente se ferrou de novo! Digo a gente do ponto de vista do oprimido, irmão meu, sangue do meu sangue, sangue brasileiro. Todos nós estamos entre os fogos cruzados, de todos os tipos.

“Mas se ergues da justiça a clava forte,

Verás que o filho teu não foge à luta,

Nem teme quem de adora à própria morte.

Terra adorada, entre outras mil és tu Brasil, ó pátria amada,

Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil.”

Bonito, não é? Também me arrepio, sou brasileiro! Mas... Experimente cantar com a barriga doendo, fazendo dupla com a fome. “– Vai procurar trabalho!” precisa de estudos (como? Onde?) e ter saúde, mas desse jeito? Ferrou de vez... Estamos patrocinando especializações, mestrados e doutorados em corrupção, tramóias e afins. E como eles aprendem rápido no planalto central!

Daí os fundos, no fundo, estão à amostra. A saúde vira suruba, e mesmo relaxando, não dá pra gozar. Nós não, pelo menos. O cara morreu, a TV mostrou, todo mundo viu. E aí? A morte deve estar de férias por aqui. Mas pra não perder o costume...

- mãe, to sentindo um zunido no ouvido...

- abaixa aí moleque! Quer encontrar uma bala perdida?

Perdidos estamos nós, as balas é que nos acham. Cadê as criancinhas? Traficadas como bichos, ou menos. É carro-bomba, homem-bomba, e essas bombas só explodem na gente.

“Colapso na saúde”, “crise aérea”, “problemas na agricultura”, “quebra de decoro parlamentar”. Estamos ampliando a língua, criando novos hábitos idiomáticos, fazendo escola, ou melhor, não fazendo escolas! E o povo continua totalmente analfabeto quanto à essa língua, tão atual e recorrente, o safadez!

E todos falam fluentemente: traficantes e senadores, polícia e bandidos, homicida e juíza. Claro, todos aprenderam na mesma escola. Escola essa, aliás, também freqüentada pelos seus filhos, que se reúnem à noite, para espancar empregadas.


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Ps.: Eu sei que todos os fatos citados no texto já são história antiga (como qualquer crime com mais de um mês, no Brail), mas gostei do texto e o achei pertinente na época. A bem da verdade, mesmo agora, é só mudar os exemplos a ainda fará sentido. Infelizmente.

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Texto Original: Guilherme Castelo

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